quarta-feira, 29 de julho de 2015

SEFAM Módulo IV - Aula 02: Da Ciência e da Ascensão da Medicina Moderna

Dia 05 de agosto, na Sala de Vídeo da Biblioteca do CAMPUS I do UNESC, às 18:30.



No segundo encontro do Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina discutiremos alguns momentos da medicina moderna e algumas de suas características científicas e artísticas.

Como base para a discussão, utilizarei o livro "O Que É Ciência Afinal?" de Allan Chalmers, que trata da metodologia científica e de suas bases filosóficas, além de alguns outros autores como Mary Midgley e Xavier Zubiri. 

Tratarei de conceitos básicos como indutivismo, deducionismo, falsificacionismo, Ciência como salvação, Ciência como cosmovisão, teoria da Revolução Científica e Realismo Radical de Zubiri e panorama científico contemporâneo.

Aplicando os conhecimentos à História da Medicina moderna e sua scensão conforme descrito na obra de James Le Fanu, visitaremos a descoberta da penicilina, da estreptomicina e da metodologia de pesquisa em saúde e causalidade daquele que pode ser considerado o precursor da Medicina Baseada em Evidências: Austin Bradford Hill.


E para encerrar, uma pequena introdução ao estudo da obra hipocrática e seu legado ético. Discutiremos o livro Aforismas de Hipócrates, e descobriremos os elementos que atravessaram as eras e ainda permanecem vivos na prática médica de nossos dias.


GUIA DE ESTUDO

1. A pretensão normativa da Ciência Moderna na cultura popular.

Indutivismo e Probabilidade. Medicina como Arte e Ciência.
Falsificacionismo e Provisoriedade. Ciência ou Cientificismo? Exemplo de teorias filosóficas do comportamento humano: Vontade de Poder (Nietzsche).
Teoria das Revoluções Científicas e Relativismo. A resposta de Giovanni Reale a Thomas Kuhn em seu livro sobre Platão.
Realismo Radical de Xavier Zubiri e a Ciência Contemporânea. Da apreensão à razão.

2. A ascensão da Medicina Moderna conforme a obra de James Le Fanu

A descoberta da penicilina e da estreptomicina.
Austin Bradford Hill e a teoria de causalidade. A fundamentação da Medicina Baseada em Evidências.

3. Ética Hipocrática

Resgate cultural da Ética Médica e crítica da ética contemporânea.
Aforismas de Hipócrates. Os valores atemporais norteadores da prática médica.

Introdução à Ética Baseada em Virtudes

sexta-feira, 24 de julho de 2015

SEFAM Módulo IV - Aula 01: A lição da Romênia para a Medicina Brasileira

SEFAM Módulo IV - Aula 01: A lição da Romênia para a Medicina Brasileira



No dia 29 de julho reinicio o Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina. 

Estudaremos a compatibilidade entre Medicina e várias ideologias, e estudaremos o exemplo da Medicina da Romênia conforme as críticas feitas por Gabriel Liiceanu e Teodora Manea.

O Brasil caminha rumo à destruição de sua própria Medicina? Quais lições podemos aprender com aqueles que sofreram na mão das Ideologias de Massas do século XX? Como evitar a derrocada da profissão médica? Estes e outros temas serão debatidos na quarta. 

No último módulo dos quatro que ocorrem a cada dois anos, tratarei dos seguintes temas:

- Filosofia da Ciência: Indutivismo e Probabilidade. Falsificacionismo e Provisoriedade. Teoria das Revoluções Científicas e Relativismo. Realismo Radical de Xavier Zubiri e a Ciência Contemporânea.

- Filosofia da Medicina: A busca pela formação médica com base numa ética de virtudes. Fundamentos históricos da Filosofia Moral da Medicina - A Escola Hipocrática.

- Crítica Cultural: Modelos de Medicina e de sociedade no Brasil. 

- Medicina e Política: Estudo de casos brasileiros. Manipulação Psicológica, Engenharia Social e Medicina como ferramenta de transformação - o perigo da instrumentalização da vida humana.

- História da Medicina: A ascensão da Medicina Moderna. Comentários à obra de James Le Fanu.

Boas vindas a todos!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

I SEMINÁRIO UFES DE PALEOPATOLOGIA

No dia 20 de agosto acontecerá um evento sobre tema inédito em nosso estado: o I Seminário UFES de Paleopatologia. Com convidados de nível internacional, a saúde e a medicina ao longo das eras serão debatidas.

Uma oportunidade única e preciosa de conhecer melhor as raízes históricas da Medicina!


domingo, 12 de julho de 2015

Hipócrates e a Relação Médico-Paciente nos Aforismas - Parte 2


O primeiro aforisma provavelmente é conhecido por muitos.

I. βος βραχς, δ τχνη μακρ, δ καιρς ξς, δ περα σφαλερ, δ κρσις χαλεπ. δε δ ο μνον ωυτν παρχειν τ δοντα ποιοντα, λλ κα τν νοσοντα κα τος παρεντας κα τ ξωθεν.[1]

I. A vida é breve, a Arte é grande, o tempo é fugaz, a experiência é enganosa e a decisão é difícil. O médico deve estar pronto não somente para executar seu dever ele mesmo, mas também para assegurar a cooperação do paciente, dos familiares e dos de fora.

A vida é breve para abarcar uma arte de tamanha complexidade como a medicina. Se hoje isto é uma verdade, em tempos de tecnologia globalizada e informação virtualmente infinita ao alcance imediato de todos no mundo inteiro além de milhares de publicações que tornam impossível qualquer tentativa de conhecer todo o panorama científico mundial, talvez alguém imagine que à época dos antigos médicos gregos tal formulação seja um pouco exagerada, certo?

Errado. Antes de toda inovação moderna, a Medicina já era inabarcável, assim como o é toda a experiência humana concreta.

O antigo médico sabia que todo seu conhecimento derivava da observação de dados particulares interpretados à luz de determinada teoria com limitado poder de generalização. Cada novo caso traz consigo uma surpresa, uma situação nova, detentora de segredos e desafios próprios.

É da essência da própria ciência a generalização dos dados passados e a indução frente a novas situações, nunca se livrando totalmente de certo grau de incerteza, mesmo que mínimo.

Voltando aos tempos atuais, o aforisma permanece verdadeiro. Não há vida longa o suficiente que baste para aprender tudo sobre o ser humano, sua saúde, seus sofrimentos, suas alegrias, sua vida e sua morte. 

Nas escolas de medicina já nem se tem a pretensão de ensinar o “estado da arte” em questões médicas, mas sim, deseja-se ensinar a capacidade de ser autodidata em meio ao oceano de conhecimentos, técnicas e inovações. É o tão repetido “aprender a aprender”, que virou um slogan muito ouvido, porém nem sempre compreendido em toda sua amplitude.

E enquanto a arte médica é longa e a vida é breve, o tempo corre rápido. Nos quadros agudos de urgência ou emergência qualquer minuto pode fazer toda a diferença.
Não bastasse tudo isso, a experiência pode ser enganosa. Os quadros clínicos se confundem. Sinais e sintomas semelhantes podem ser indício de diferentes doenças. A reflexão acerca dos diagnósticos diferenciais é uma das mais complexas em Medicina, e talvez a mais crucial.

Algumas doenças só poderão ser descobertas e corretamente tratadas após o decorrer de preciosos dias – ou meses! – e ludibriam até mesmo o mais experiente dos médicos.

E tudo isso culmina com aquela que muitas vezes é uma difícil decisão. Com base na experiência dá-se o diagnóstico. Com base no diagnóstico prescreve-se um plano terapêutico. Com base no plano terapêutico e no diagnóstico, espera-se um determinado prognóstico, uma evolução no quadro clínico do paciente. Riscos e benefícios são pesados numa balança na qual o ponteiro marca o quanto se pode ajudar efetivamente o paciente.

E se o risco for alto demais? E se um erro puder levar à morte ou a graves disfunções? E se algo inesperado acontecer? Não existe exame infalível ou tampouco tratamento infalível, e não existe situação absolutamente previsível em todos os seus detalhes.


A Medicina é uma arte complexa, realmente, e o primeiro aforisma creditado a Hipócrates espelha essa maravilhosa e assustadora profissão.

Permanece vivo o conselho hipocrático: A arte é longa, a vida é breve...




[1] Hippocrates, Heracleitus. Nature of Man. Regimen in Health. Humours. Aphorisms. Regimen 1-3. Dreams. Heracleitus: On the Universe. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 150. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1931, p. 98-99.